Tem porta-desejo que a gente ora tanto para ver abrir… e nada!
Dias…
Semanas…
Meses…
Batemos, pedimos, choramos encostados ali…
E ela continua fechada.
Quietinha.
Como se não estivesse nem ouvindo…
E o que mais dói não é a demora.
É o silêncio!
A sensação de que talvez… não vá acontecer.
Talvez não seja pra ser.
Talvez Deus tenha nos esquecido!
Foi assim comigo.
Esperei tanto por aquela resposta…
por aquele “sim” tão justo, tão bom, tão cheio de intenção sincera.
Mas a porta-oportunidade continuava ali.
Fechada…
Inabalável…
E o tempo foi passando e pesando…
A esperança, que no começo era vibrante, foi se tornando cautelosa… e depois quase muda.
Até que um dia, sem forças, eu apenas encostei a testa na madeira fria daquela porta imaginária e disse baixinho:
“Jesus… por que não abre?”
Não pedi mais nada.
Não implorei.
Só perguntei como quem está cansado… e não quer mais fingir força.
Foi aí… ali mesmo, onde eu estava, que Ele veio.
Sem som.
Sem luz.
Sem anúncio.
Veio como sempre vem: devagar, inteiro… e cheio de verdade.
Sentei-me.
Ele se sentou também…
Ao meu lado.
Na mesma espera…
Olhou para uma das portas da casa, como imagem viva de uma expectativa, e depois, para mim…
E disse, não com voz, mas com alma:
– “Ainda não abriu… porque estou preparando o que te espera do outro lado.”
Fiquei em silêncio.
As lágrimas vieram.
Mas dessa vez… não eram de desespero.
Eram de alívio…!
Porque, pela primeira vez, eu entendi que o silêncio de Deus não é ausência. É trabalho.
Que a demora de Jesus não é esquecimento. É cuidado!
Que há coisas que não estão prontas ainda.
Não porque somos insuficientes, mas porque o outro lado ainda está sendo arrumado.
Talvez se a porta abrisse agora, tudo estivesse pela metade…
Talvez me ferisse…
Talvez me cansasse mais…
Mas Ele…
Ele estava cuidando de cada detalhe…
Lá dentro.
E me esperando confiar… mesmo do lado de fora.
Jesus me olhou com doçura, tocou levemente minha mão, e disse com aquele jeito d’Ele – manso, firme, eterno:
— “Eu sei o quanto dói esperar…
Mas confia: quando essa porta abrir, você vai entender cada segundo de silêncio e espera.”
Ficamos ali por um tempo.
O mundo seguiu do lado de fora.
Mas naquele pequeno pedaço de chão, minha fé se reergueu.
Não porque a porta abriu.
Mas porque eu entendi que não estou esperando sozinho.
… E que às vezes, o maior milagre não é o que acontece quando a porta-desejo se abre…, mas o que Jesus constrói em nós enquanto ela ainda está fechada.
Hoje, ainda espero…
A porta ainda não abriu…
Mas sei que do outro lado Ele está preparando tudo com carinho.
E aqui deste lado, Ele senta comigo, respira junto, e segura minha esperança pela mão até que tudo esteja pronto.
……………………
Nem toda porta fechada é um “não”.
Às vezes, é só Jesus caprichando no que vem.
E enquanto isso…
Ele se senta com a gente no corredor da existência.
Maurício Silva
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