Em clima de tumulto interno, muitas vezes atribuímos nossa alegria e tristeza, satisfação e insatisfação, aos acontecimentos à nossa volta, sendo que essa realidade é formada por nossos sentimentos, cujas raízes estão dentro de nós mesmos.
Claro que situações externas provocam nossa experiência humana.
As relações interpessoais, a ação do clima, os quefazeres de um dia a dia, a alegria da superação de um problema de saúde, a conclusão de uma tarefa importante, um avanço profissional – todas essas experiências ocorrem “fora” de nós.
No entanto, não tem como negar que tudo o que vivemos, interna ou externamente, cada sentimento, cada emoção que experimentamos, acontece “dentro” de nós.
Cada registro, cada sensação colhida por nossos cinco sentidos, é definida pela interpretação única que se passa em nossa intimidade.
A circunstância pode ser externa, mas o significado é interno e atribuído por nós, ou seja, toda experiência humana é totalmente autogerada.
Esse poder reside em nosso interior.
A compreensão fundamental que precisamos alcançar é que, tanto nossos pensamentos, sentimentos, quanto nossas emoções, são criações nossas.
Nós moldamos ativamente nossa própria realidade mental e emocional, sendo os construtores conscientes do nosso mundo interior.
O homem se torna aquilo que cultiva na mente.
Por efeito primordial, conforme a sua paisagem mental, a existência física será plasmada, face ao vigor da energia direcionada.
Por isso mesmo, somos como pensamos e o que decidimos; possuímos o que desejamos; estamos onde preferimos e encontramos a vitória, a derrota ou a estagnação, conforme imaginamos.
Em a narrativa da Criação, retratando a concepção divina diante do vazio, simboliza o poder da mente em relação ao universo. “Que haja luz”, proclamou a Vontade Divina, e a luz surgiu para dissipar as trevas.
Cada dia, proclamamos com as nossas ideias, desejos, intenções, pensamentos, palavras, atitudes, sentimentos, emoções: “Faça-se o destino!” E a vida nos traz aquilo que a ela expomos como desejo!
Os acontecimentos obedecem às nossas intenções e provocações, manifestas ou ocultas.
Encontraremos o que merecemos, porque merecemos o que buscamos.
A existência, pois, para nós, em qualquer parte, será invariavelmente segundo pensamos, sentimos, fazemos.
Não desejamos com isso afirmar que, com o simples fato de elaborar-se uma ideia, necessariamente, acontecerá como se quer ou como se planeja.
Contudo, a energia mental que liberamos, potencializada por nossas emoções, torna-se um impulso favorável, contribuindo para tornar possível o desejo.
Moisés abriu passagem para o seu povo, no Mar Vermelho…
No entanto, é fundamental acompanhar esse desejo com dedicação, esforço e ação para transformá-lo em realidade de maneira construtiva e edificante.
Repetimos para firmar conhecimento: Nós moldamos ativamente nossa própria realidade mental e emocional, sendo os construtores conscientes do nosso mundo interior.
Aquele que é um personagem em um livro não pode ser o autor dele. Reflitamos sobre isso: estamos escrevendo a nossa própria história ou sendo moldado por ela?
Os eventos externos são apenas o palco, e você é o artista principal, o galã da sua história, aquele que mais chama atenção de seu coração, de seu desempenho, proporcionando luz em seu caminho.
O coração, também conhecido como o primeiro cérebro, é a fonte do desejo, da intenção e do anseio espiritual do ser, conforme o Apóstolo Lucas (6: 45) registrou os ensinos de Jesus: O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração.
No coração vigem o ideal, a forma, a vida!
Na mente, o início do processo da realização.
O pensamento é a manifestação do anseio espiritual do ser, não uma elaboração cerebral do corpo.
O pensamento é força que atua de acordo com a direção, a intensidade e o significado próprios ditados pelo coração.
Exercite a sua mente, fixando ideias otimistas de saúde e de trabalho, experimente as emoções nobres.
Insista com essas formas ideais, e elas se materializarão, mantidas pelo fluxo do desejo e da vontade firme, no plano da sua realidade objetiva.
Quando souber comandar a mente, o ritmo de sua existência se alterará em profundidade.
Onde estiver nosso interesse, aí estará nossa atenção, nosso coração, nossa presença, nossa alma, nossa energia.
No bloco de pedra dorme a estátua, que o artista vê e de lá a arranca, a esforço e dedicação.
Seja seu próprio mestre mental e emocional.
Alimente seus autênticos pensamentos, vivencie suas legítimas emoções.
Seja você!
Ser o que é, ser autêntico, não requer esforço. Por incrível que possa parecer é mais fácil do que o contrário. Fingir uma situação inexistente é muito mais trabalhoso.
Estar presente e consciente, faz de você pertencente e uno com o momento.
Aplique com sabedoria as suas forças mentais e não as perturbe com os desvios da ilusão.
Não é necessário inventar novos sistemas ou métodos. Basta remover os obstáculos mentais, as falsas crenças, os desvalores existenciais. Nesse momento, a consciência de ser, do ser consciente, irradia e ilumina o cenário.
Agir com extrema consciência é a recomendação de nossa estimada Joanna de Ângelis, em, praticamente, todos os seus livros da denominada Série Psicológica, que segue o que de melhor há em nossa Doutrina da Esperança, esta que o revelador Kardec materializou no mundo, e mostra o caminho interior com maestria.
O mundo é muito sedutor, tem um charme irresistível, capturando nossa atenção. Para alcançar clareza, é preciso ação consciente contrária.
Se você embalar pesadelos, se deparará sempre com sofrimentos.
Se vitalizar esperanças de paz, encontrará tranquilidade.
Jesus, que conhecia a força mental e o poder do coração em profundidade, usou-as, convidando-nos a aplicá-las bem, quando enunciou que podemos fazer tudo quanto Ele fez, se quisermos, se tivermos fé e determinação de lutar contra as imperfeições, e extrair, do bloco de granito que ainda somos, a centelha divina que dorme em nós.
Lembre-se: alegria ou tristeza, satisfação ou insatisfação, prazer ou dor – tudo acontece dentro de você, no âmbito de seus domínios.
Tome posse!
As energias do coração e da mente são o potencial de força que estrutura a vida.
Se compreendermos e aceitarmos essa verdade, podemos começar a moldar conscientemente nossos pensamentos e emoções de maneira positiva e construtiva.
Esta é uma chave existencial prática que pode transformar sua vida.
Estar presente e consciente não é um estado d’alma a ser alcançado, mas sim um despertar para viver intencionalmente segundo a nossa natureza essencial.
Nosso pensar, dirige nossa agir, que estimula nossos sentimentos, que desperta nossas emoções.
O corpo é nosso meio para perceber e agir no mundo.
Somos o observador de cada sensação, sentimento e pensamento, e o autor de cada ação.
Se nossos pensamentos e emoções são de nossa própria criação, como de fato são, então temos o poder de moldar nossa realidade interna e externa de maneira significativa.
Ela não só muda a forma de como vivemos, mas também transforma a maneira de como enfrentamos as circunstâncias próprias da vida humana.
Desperte o poder interior e seja o arquiteto e construtor da sua própria realidade, física e espiritual.
O Espiritismo dilata o pensamento e lhe rasga horizontes novos, como lemos em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 2, item 7.
Tenhamos, então, olhos de ver e ouvidos de ouvir…
Pelo descortinar do Continente da Alma, e nos apresentar o Espírito, em sua legítima realidade e grandeza, o ensino espírita nos abre a compreensão sobre a verdadeira natureza do corpo, mente e emoções, guiando-nos para o controle consciente e intencional de nossa realidade:
Temos um corpo, mas não somos o corpo.
Temos uma mente, mas não somos a mente.
Temos emoções, mas não somos as emoções.
Somos aqueles que dirigem todas essas facetas existenciais.
O Espiritismo é um grande chamado para o despertar da consciência!
Não estamos apenas buscando uma experiência transcendental como seres humanos; somos Espíritos vivenciando uma momentânea e renovadora jornada humana.
Essa jornada é qual uma ponte que permite entre o “homem velho” de um lado, e saia “homem renovado” no outro lado.
Porém, diz a lógica que não se constrói casas na ponte…
Maurício Silva
0 comentário