O quarto era branco…
Frio…
Silencioso demais…, daquele silêncio que grita.
Máquinas piscavam luzes pequenas, e o ar tinha cheiro de fim.
Ali, deitado, um corpo frágil lutava para continuar sendo casa de uma alma cansada.
Era um homem. Talvez com uns cinquenta… talvez com todos os séculos do mundo no rosto.
Na beira da cama, ninguém…
Ninguém!
Só ele.
… E a dor.
Essa que chega e não bate à porta. Essa que entra, sem pedir, e rasga tudo o que a gente achava que era forte.
Ele abriu os olhos com dificuldade. Olhos que já tinham chorado sem lágrima. Olhos que pareciam perguntar: “É agora?”
E então…
Ele entrou…!
Não pela porta…
Não com alarde…
Entrou como quem já estava ali desde antes da dor começar.
Jesus!
Mas não aquele das pinturas limpas.
Era um Jesus cansado também…, como quem se senta ao lado da dor para dizer: “Você não está sentindo isso sozinho, meu irmão!”
E sentou-se ao lado da cama…
Não falou nada…
Nem precisava!
Pegou a mão do homem. Aquela mão magra, pálida, já quase sem força.
E ficou segurando…
Só isso…!
Mas, meu Deus…
Que força havia nesse gesto mudo!
O homem olhou para Ele.
Primeiro com medo…, depois com espanto…, depois com aquela lágrima que escorre quando a alma reconhece que já não precisa lutar.
Ele tentou dizer alguma coisa…
A boca não respondeu.
Mas o olhar perguntou: “Você veio… por mim?”
Jesus sorriu…
Mas não foi um sorriso qualquer.
Foi um daqueles sorrisos que tiram o peso do mundo dos ombros. Um sorriso que diz: “Eu sempre estive aqui, meu irmão!”
E naquele instante… o quarto pareceu respirar diferente.
Como se a dor, por um segundo, tivesse pedido licença e partido.
Como se o próprio ar se ajoelhasse diante daquele encontro.
O homem fechou os olhos.
Não de medo. De paz…!
Daquela paz que não cabe em palavras. Daquela que só o sagrado conhece!
Quando as enfermeiras entraram, viram o corpo imóvel, a mão serena.
E o rosto… tinha uma expressão de quem não partiu…,
voltou…!
………….
Há dores que não se curam.
Mas se abraçam.
E quando Jesus segura nossa mão…
Ah! Até a morte fica pequena!
Maurício Silva
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