Nas profundezas da lama, onde tudo parece imerso em silêncio e escuridão, algo começa a mover-se…
Uma raiz tímida estende seus dedos em busca de sustento, e um caule delicado surge, subindo pelas águas turvas…
O lótus, sem pressa e sem medo, inicia sua jornada para a luz.
Ele não rejeita a lama que o alimenta, nem questiona a escuridão que o envolve. Ele simplesmente cresce… Avança, porque é da sua natureza desabrochar.
Assim também somos nós…
Cada um de nós carrega, em seu coração, a promessa de um lótus.
Por mais que nossas raízes estejam imersas nas sombras do passado, nas paixões e confusões da existência, há algo em nós que anseia pela luz, que deseja abrir-se ao infinito.
Não importa quão turvas estejam as águas ao nosso redor, o chamado para desabrochar é mais forte. Porque a Vida, em sua essência mais pura, é um movimento constante de ascensão.
A Lama Não é Seu Destino
As águas turvas da vida podem tentar nos segurar, como correntes invisíveis que sussurram: “Fique aqui. Não há nada além desse lodo.”
Mas o lótus nos ensina outra coisa…
Ele não teme suas raízes, nem as rejeita. Ele entende que a lama não é um lugar de prisão, mas um lugar de nutrição. Sem ela, ele não poderia crescer!
Você já percebeu como muitas vezes as dores e os desafios mais profundos são o solo fértil para a transformação?
Não se trata de negar a lama que nos formou, mas de usá-la como um impulso, uma força. É dela que tiramos a coragem de nos elevar, de transcender o que nos aprisiona.
A lama não define o lótus; ela o sustenta! Assim como as sombras do nosso passado, quando encaradas com honestidade e compaixão, podem nos lançar para a luz.
E então, como o lótus, somos chamados a um movimento maior. Não para fugir das águas, mas para ultrapassá-las. Para atravessar as torrentes de emoções descontroladas, os redemoinhos de julgamentos, os pesos do medo e da ignorância.
Cada escolha que fazemos em direção à verdade, cada passo em direção à luz, é um movimento que nos aproxima do desabrochar!
A luz não é um prêmio, mas um encontro.
Quando o lótus emerge da superfície da água, ele não encontra a luz pela primeira vez. A luz sempre esteve lá, esperando…
Cada célula de sua existência já conhecia a direção. Ele não precisou ser ensinado a crescer; ele apenas seguiu o chamado silencioso que estava dentro dele desde o início.
Assim também é a jornada da alma…
Não buscamos a luz como algo externo, como um prêmio a ser conquistado. Ela já está em nós, aguardando o momento em que finalmente olharemos para dentro e perceberemos que sempre esteve ali.
A luz é um reencontro, não uma conquista!
Você já se deu conta disso? Que a paz que tanto busca, a clareza que tanto anseia, a beleza que procura fora, já estão pulsando dentro de você?
Tudo o que o lótus precisa para florescer está nele – e tudo o que você precisa para transcender já vive em sua essência!
O Instante do Desabrochar
Quando o lótus abre suas pétalas ao sol, ele não carrega consigo as marcas da lama ou as turbulências da água. Ele floresce limpo, puro, intocado. Suas pétalas não são manchadas pelo caminho que percorreu…
Essa é a mágica do desabrochar: o que parecia sujo e confuso torna-se fonte de beleza e luz!
E você? Já pensou que sua jornada também pode ser assim? Que as dores, os erros, as dúvidas que o atormentam não são cicatrizes permanentes, mas parte do caminho que o leva ao desabrochar?
Assim como o lótus transforma lama em beleza, você pode transformar suas sombras em força, sua ignorância em sabedoria, suas quedas em asas!
Por que temer a lama, se dela nascem as flores? O lótus não pergunta por que a lama existe; ele simplesmente a usa. E talvez a maior lição do lótus seja essa: o que parece uma prisão pode ser o solo da sua libertação.
A Dualidade Que Nos Forma
O lótus vive entre dois mundos: suas raízes estão na terra, mas suas pétalas tocam o céu. Ele não rejeita nenhum dos dois, porque entende que a vida é feita dessa dualidade.
Nós também somos assim. Há em nós um pedaço do céu e um pedaço da lama. Há a sombra que nos molda e a luz que nos guia!
Mas o segredo do lótus não está em escolher um lado; está em integrar os dois. É na aceitação dessa dualidade que encontramos nossa força!
Quando paramos de lutar contra o que somos no momento – nossas imperfeições, nossos medos, nossos desejos – e aprendemos a usá-los como ferramentas de crescimento, florescemos como o lótus: firmes e serenos, dançando entre o escuro e o claro, o conhecido e o desconhecido…
A jornada Para o Céu Começa Agora
Você, como o lótus, tem dentro de si o chamado para a luz…
Sua essência já sabe como desabrochar; ela apenas espera que você confie no processo.
Não há atalhos…!
O caminho passa pela lama, atravessa as águas e só então chega à superfície.
Mas quando você finalmente abrir suas pétalas, descobrirá que tudo – cada sombra, cada medo, cada dúvida – fazia parte do milagre!
Permita-se florescer. Não há nada que o prenda, exceto aquilo que você ainda não está pronto para soltar…
Solte!
Confie na luz que o espera, porque ela sempre esteve ali…
Vem e segue-me…! disse Jesus…
Assim como o lótus desabrocha ao sol, você também foi feito para abrir suas pétalas ao infinito.
A luz não está distante; ela está em você, esperando o momento em que você permita que ela brilhe.
Então floresça!
Você é a luz do mundo… Lembra-se quem lhe disse isso por primeira e derradeira vez?
Transforme a lama em beleza, a escuridão em luz…
A Vida não pede pressa, apenas coragem e vontade!
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Apontamento de O Livro dos Espíritos para nossa reflexão
Desde que é incontestável o movimento progressivo, não há que duvidar do progresso vindouro. O homem quer ser feliz e é natural esse desejo. Ora, buscando progredir, o que ele procura é aumentar a soma da sua felicidade, sem o que o progresso careceria de objetivo. Em que consistiria para ele o progresso, se lhe não devesse melhorar a posição? – Allan Kardec (O Livro dos Espíritos, Conclusão, IV)
Maurício Silva
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