Era fim de tarde…
A cidade corria apressada, buzinas, celulares, olhares perdidos…
Eu também estava perdido, preso ao redemoinho de coisas por fazer.

… Então, de repente, percebi: havia alguém caminhando ao meu lado…

Ele não dizia nada. Apenas caminhava.
E no ritmo da sua presença, o caos ao redor começou a silenciar.

Era apenas um homem simples, de passos tranquilos, como se o tempo não o apressasse…
Olhei de relance. Não havia auréola, nem túnica reluzente.
Mas havia algo no olhar…, algo que eu não sabia explicar, mas reconhecia…

– Você… é…? – tentei perguntar…
Ele sorriu, como quem não precisa confirmar o óbvio…

Seguimos juntos…

Passamos por uma mulher sentada na calçada, chorando. Eu teria desviado, mas Ele parou. Sentou-se ao lado dela. Não disse nada. Apenas deixou que ela chorasse no seu ombro. Minutos depois, ela se levantou com um suspiro diferente, como quem encontra fôlego no meio da noite.

Caminhamos mais…

No mercado, um rapaz sem moedas tentou levar um pão. O segurança já ia repreendê-lo. Ele se adiantou, pagou o pão, e ainda sorriu para o rapaz, como quem devolve dignidade.

Eu o olhava e pensava: “Mas é só isso? Sentar-se, segurar, pagar, sorrir?”
Ele respondeu ao meu silêncio:
– O Amor é sempre simples. É a gente que complica…

Seguimos…

No trânsito, um motorista gritou palavrões a outro. Ele apenas olhou para mim e disse:
– Viu? Esse também está pedindo Amor. Só não sabe como.

E fomos adiante…

Andamos por vielas estreitas, entramos em casas pobres, passamos por hospitais cheios, cruzamos jardins silenciosos…
Em cada lugar, Ele não fazia discursos. Fazia presença!
Não pregava santidade. Revelava humanidade!

No fim do dia, ao pôr do sol, paramos…

Eu, inquieto, perguntei:
– Mas afinal, Você veio de novo ao mundo para ficar?

Ele me olhou fundo, como quem atravessa o infinito num instante, e disse, mais do que apenas com palavras, com doçura:
– Eu nunca fui embora. O que falta não é a minha presença. É a sua percepção! Está lembrado: …olhos de ver e ouvidos de ouvir…?

… E, antes que eu pudesse responder, Ele já não estava ao meu lado…

Ou talvez estivesse… mas dentro de mim…

Caminhei de volta para casa, sentindo: Jesus continua aqui…
Não em céus distantes, mas em gestos humanos.
Não em tronos invisíveis, mas em corações que ousam amar!

Maurício Silva


2 comentários

Aparecido Martins · setembro 19, 2025 às 7:28 pm

Neste maravilhoso texto que o Maurício escreveu.

Jurema Bento · setembro 20, 2025 às 1:45 am

Este texto maravilhoso que Jesus Cristo me abençoe 🙏

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