Quando Você Se Lembra de Quem Nunca Deveria Ter Abandonado

 

“Algumas partes de você não estão perdidas.
Elas apenas aguardam… que você volte com olhos de amor.”

 

O Choro Sem Som da Alma

Há dores que nunca fizeram barulho.
Há ausências que nunca foram notadas.
Há pedaços seus que não sumiram – apenas se calaram.

Foram se apagando devagar…
como uma vela deixada em canto escuro da casa,
como uma prece sussurrada no meio da pressa.

Partes suas que você não abandonou por mal.
Simplesmente… precisou seguir.
Precisou crescer antes da hora.
Ser forte cedo demais.
Colocar uma roupa de adulto por cima de uma alma ainda em broto.

E então, o tempo passou.
Você “deu certo”.
Mas alguma coisa se perdeu no caminho.
Uma ternura.
Uma pureza.
Uma inteireza que não sabia fingir.

Este artigo é o chamado silencioso de tudo o que ainda está por aí…
esperando por você.

 

Os Fragmentos Que Ficam

Você pode ter se esquecido, mas sua alma lembra.

Lembra da criança que acreditava em borboletas como mensageiras do invisível.
Lembra do seu riso no quintal, quando o mundo ainda era sagrado.
Lembra do olhar que não julgava, só sentia.
Lembra da fé que não se explicava – mas sustentava.

Essas partes não morreram.
Elas se recolheram.
Foram morar na saudade do que você era.
Foram viver no eco dos sonhos que você não deixou crescer.
E hoje…
estão batendo à porta da sua consciência, não para acusar –
mas para voltar.

 

O Corpo Também Guarda o Esquecido

Sim.
É no seu corpo que essas partes vivem.
Na tensão do ombro que carrega o mundo.
No aperto do peito que não sabe chorar.
Na rigidez do maxilar que morde palavras que queriam ser ditas.

São memórias vivas.
Gravadas não em diários – mas em músculos.
Não em álbuns – mas em silêncios.

Seu corpo lembra tudo o que você não teve permissão de sentir.
Tudo o que você enterrou para caber.
Tudo o que sufocou para ser amado.

Mas agora… você pode parar.
Pode sentar-se com sua alma.
Pode voltar ao ponto onde tudo parou de brilhar.
E dizer, com mãos abertas:
“Estou pronto para levá-la comigo. De novo… e para sempre.”

 

O Resgate Começa Com o Amor Que Permanece

Você não precisa entender.
Não precisa justificar.
Nem consertar.

Você só precisa amar o que ficou para trás.
Amar como se fosse outro alguém –
mas sabendo que é você!

Dizer, com os olhos cheios d’água:
“Você não precisa mais me esperar no escuro do esquecimento.
Eu vim!”

E esse “eu vim”…
é milagre.
É recomeço.
É reconciliação entre o agora e o que você sufocou para sobreviver.

 

Onde Mora a Alma Que Espera

Ela mora na gaveta que você não abre há anos.
Na música que fez você chorar – e você nunca mais ouviu.
Na carta não enviada.
Na dança esquecida.
No lápis de cor que não terminou o desenho.
Na prece que você interrompeu ao ser interrompido pela pressa.

Ela mora no perdão que você nunca se deu.
Na fragilidade que você aprendeu a esconder.
Na saudade de si mesmo que você nem sabia que sentia.

Ela não quer glória.
Nem fama.
Ela só quer existir de novo – nos seus gestos, no seu olhar, no seu silêncio, na sua alegria, na sua imortalidade.

 

Esse Encontro é Uma Ressurreição Silenciosa

É um abraçar que ficou faltando.
É um se oferecer de volta à própria alma.
É dizer:
“Você pode voltar.
Eu agora sou um lugar seguro e amadurecido.”

E quando essas partes retornam, algo se realinha.
A voz muda de tom.
A presença ganha peso.
A ternura vira linguagem.
E o mundo… se torna altar.

Agora vá ao seu encontro… e retorne com brevidade e pleno!

O verdadeiro milagre não é descobrir quem você é –
é acolher tudo o que você deixou para trás… e ainda assim se amar inteiro.”

Maurício Silva


2 comentários

Cintia · maio 26, 2025 às 10:38 am

Gostei muito super recomendo

Luis Paulo Anacleto · maio 26, 2025 às 10:00 pm

Gratidão Maurício e Edson pelo regate da alma.

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